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Jev: a IA do português que saiu da OpenAI não escreve uma palavra

Diogo Almeida, coautor do InstructGPT, lançou o Jev pela TypeSafe AI: um modelo que só toma decisões, cobra US$ 0,042 por milhão de tokens e fez a OpenAI correr atrás em três semanas.

Por Caio Almeida · · 3 min de leitura

Em 30 segundos

  • A TypeSafe AI, de Diogo Almeida (ex-OpenAI, formado no Técnico de Lisboa), saiu do modo secreto em setembro com US$ 40 milhões liderados pela DCVC.
  • O Jev não gera texto: devolve decisões estruturadas com nível de confiança, a US$ 0,042 por milhão de tokens de entrada.
  • Em 6 de outubro a OpenAI lançou uma Decisions API concorrente e um executivo creditou o Jev pela ideia.
Jev: a IA do português que saiu da OpenAI não escreve uma palavra
Imagem: Divulgação/TypeSafe AI

Primeiro, a correção do nome: é Jev, com um "e" só. O nome vem do economista inglês William Stanley Jevons, o do Paradoxo de Jevons (quando algo fica mais eficiente, o consumo total sobe em vez de cair). E o nome escolhido já diz a tese do produto.

Quem é o cara que construiu

Diogo Almeida é português, formado em engenharia eletrotécnica no Instituto Superior Técnico, em Lisboa. Na OpenAI, foi coautor do artigo do InstructGPT, de 2022, a base do treino com feedback humano que tornou o ChatGPT possível. Saiu em 2024 e fundou a TypeSafe AI com Erik Gafni e Sasha Sheng.

Foram dois anos em modo secreto. Em setembro, a empresa apareceu com uma rodada semente de US$ 40 milhões liderada pela DCVC. A Forbes fala em avaliação de US$ 200 milhões.

Uma IA que não conversa

O Jev não escreve e-mail, não gera código, não bate papo. Ele recebe um pedido e devolve uma decisão estruturada com probabilidade e grau de confiança. Classificar cliente, separar documento, filtrar e-mail, achar erro. A resposta sai entre 70 e 500 milissegundos, segundo a VKTR.

O preço: US$ 0,042 por milhão de tokens de entrada, e a saída não é cobrada. A empresa chama isso de "System One Model", o primeiro de uma nova categoria, nas palavras dela.

A frase do Almeida que resume tudo: se a IA vai mudar como o trabalho é feito, "as pessoas não podem ser as únicas consumidoras de inteligência". O cliente do Jev é outro software.

A OpenAI correu atrás

Segundo a Fortune, nas primeiras 24 horas no AI Gateway da Vercel, quase 13% das equipes pagantes testaram o Jev, o dobro de qualquer lançamento anterior na plataforma.

Três semanas depois, em 6 de outubro, a OpenAI lançou a Decisions API, a US$ 0,10 por milhão de tokens, também sem cobrar saída. Nikunj Handa, da OpenAI, disse à Fortune que o Jev "inspirou isso tudo" e que o produto nem estava no plano quatro semanas antes.

Retrato do economista William Stanley Jevons, que inspirou o nome do Jev
Imagem: G. J. Stodart Domínio público

Opinião

A leitura

Isso é posicionamento de manual. Enquanto todo mundo briga para ter o modelo que faz tudo, o Jev escolheu fazer uma coisa só, e fazer barato. Nomeou a categoria ("System One"), contou a história do fundador e ganhou território antes de o gigante acordar.

O risco também é clássico. Quando a OpenAI copia em três semanas, a vantagem do pequeno vira corrida de distribuição, e distribuição a OpenAI tem de sobra. A diferença de preço (menos da metade) ajuda, mas não segura sozinha.

E tem o detalhe que eu gosto: um português que ajudou a criar o ChatGPT agora vende uma IA que se recusa a conversar.

Quantas decisões pequenas do seu negócio você entregaria para uma máquina que responde em meio segundo?

Fontes

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