Pular para o conteúdo
Companie Culture Content

Futurismo

O Google mandou chips de IA para o espaço. O plano é um data center em órbita

Em 1º de outubro, o Google lançou o primeiro satélite do Project Suncatcher, feito com a Planet e equipado com quatro TPUs, seus chips de IA. A ideia é testar se a órbita, com sol quase o tempo todo, pode abrigar data centers no futuro.

Por Caio Almeida · · 3 min de leitura

Em 30 segundos

  • O Google lançou em 1º de outubro o primeiro satélite do Project Suncatcher, com quatro chips de IA (TPUs).
  • O satélite foi feito com a Planet e subiu na missão Transporter-18 da SpaceX.
  • O próximo passo, previsto para 2027, são dois satélites testando conexão a laser entre chips.
O Google mandou chips de IA para o espaço. O plano é um data center em órbita
Imagem: Divulgação/Google

A IA está comendo energia e terreno em ritmo que a Terra não acompanha. O Google resolveu olhar para cima.

Em 1º de outubro de 2026, o Google colocou em órbita o primeiro protótipo do Project Suncatcher, um satélite com quatro TPUs, os chips que a empresa usa para treinar e rodar seus modelos de IA. O satélite foi construído com a Planet, empresa de imagens de satélite, e subiu na missão Transporter-18 da SpaceX, que levou cerca de 130 cargas a partir da base de Vandenberg, na Califórnia.

O que o satélite vai testar

O objetivo agora não é fazer conta pesada no espaço. É ver se o chip aguenta. Nas próximas semanas, o Google vai medir como as TPUs reagem a radiação, variação brutal de temperatura e estresse físico.

Travis Beals, diretor sênior do Google responsável pelo projeto, confirmou o contato: "Nossa equipe confirmou contato com o satélite e ele está operando como esperado", segundo o Trending Topics. Antes do lançamento, o Google testou chips Trillium num feixe de prótons e diz que eles aguentam uma dose de radiação maior do que receberiam numa missão de cinco anos, segundo o The Decoder.

Por que colocar data center no espaço

O argumento é energia. Em órbita baixa, um painel solar pode gerar até oito vezes mais energia do que na Terra, de acordo com o The Decoder, porque não tem noite longa nem nuvem. Ali, também não há disputa por terreno, água ou rede elétrica.

O problema é o calor. Na Terra, o data center se resfria com ar e água. No vácuo, o calor só sai por radiação, o que exige radiadores grandes. O Trending Topics relata que esse é o maior obstáculo do projeto.

O que vem depois

O plano do Google prevê, para 2027, dois satélites testando conexões a laser de alta velocidade entre chips. No longo prazo, a ideia é ter enxames de satélites com dezenas de TPUs trabalhando juntos em tarefas grandes de IA. O Google chama o Suncatcher de "moonshot", um projeto de pesquisa de longo prazo, sem promessa de produto.

Opinião

A nuvem pode virar, literalmente, céu

Parece ficção científica, e é por isso que eu levo a sério. O Google não lançou isso para vender amanhã. Lançou porque a conta de energia da IA já pesa, e cada nova fazenda de servidores vira briga com cidade, governo e meio ambiente.

Quatro chips em órbita é quase nada. Um data center comum tem milhares. Mas todo projeto grande começa com um teste que parece bobo. O ponto é descobrir se o chip sobrevive e quanto custa tirar o calor dali.

Tem também uma pergunta incômoda: se a infraestrutura de IA for parar no espaço, quem regula? Hoje, órbita baixa já é disputada por milhares de satélites de poucas empresas.

Você confiaria seus dados a um servidor que passa por cima da sua cabeça a cada hora e meia?

Fontes

Newsletter · em breve

Gostou? Receba o próximo no seu e-mail

O que importou em tecnologia, cultura e negócios, com fonte e em 5 minutos de leitura. Sem spam e sem rastreador.

Continue lendo: mais sobre #inteligência artificial

Ver tudo em Continue lendo: mais sobre #inteligência artificial