O Starship chegou à órbita e soltou 26 satélites. Agora a Lua tem prazo
No voo 14, em 28 de setembro, o Starship da SpaceX entrou em órbita pela primeira vez, soltou 26 satélites Starlink V3 e desceu no Pacífico. O próximo desafio é reabastecer em órbita, condição para levar astronautas à Lua.
Em 30 segundos
- O Starship entrou em órbita pela primeira vez no voo 14, em 28 de setembro de 2026.
- Soltou 26 satélites Starlink V3, a primeira carga útil de verdade do foguete.
- Os próximos passos são lançar da Flórida e testar reabastecimento em órbita para a missão à Lua.

Durante anos, o Starship foi o foguete que explodia no YouTube. No fim de setembro ele virou outra coisa: um foguete que entrega carga.
Em 28 de setembro de 2026, a SpaceX lançou o voo 14 do Starship a partir de Starbase, no Texas, às 7h48 do horário central dos EUA. Foi a primeira vez que a nave chegou à órbita completa. Em cerca de 30 minutos, soltou 26 satélites Starlink de terceira geração, um por um.
O que deu certo, e o que não deu
O voo não foi perfeito. Segundo o SpacePolicyOnline, o propulsor Super Heavy perdeu um dos 33 motores logo depois da decolagem e, mesmo assim, fez um pouso suave no Golfo do México. A nave de cima perdeu um dos três motores de vácuo na subida e seguiu viagem.
O plano previa seis voltas na Terra, quase dez horas de missão. A SpaceX encurtou: depois de 3 horas e 8 minutos, o Starship fez uma descida controlada no Pacífico, ao norte do Havaí. A empresa tinha esse plano B preparado, com equipes de resgate nos dois pontos possíveis, mas não explicou publicamente por que decidiu usá-lo.
O administrador da Nasa, Jared Isaacman, comemorou: "Gorgeous launch", algo como "lançamento lindo", segundo a Spaceflight Now.
Por que os satélites importam
Até aqui, o Starship só tinha levado cargas de teste. Os 26 Starlink V3 são satélites operacionais. Elon Musk escreveu no X que todos foram soltos e estavam "operando normalmente", segundo a Space.com. A SpaceX diz que essa geração tem dez vezes mais capacidade de download que a anterior.
Isso muda a conta da internet via satélite. Um foguete grande, que carrega muitos satélites maiores por vez, é o que permite à Starlink crescer sem lançar todo dia.
A Lua ainda depende de um posto de gasolina no espaço
A Nasa contratou uma versão do Starship como módulo de pouso do programa Artemis. Para isso, a nave precisa ser reabastecida em órbita com metano e oxigênio líquidos, algo que nunca foi feito nessa escala. As estimativas citadas pela imprensa variam de cerca de 10 a até 15 voos de abastecimento antes de uma ida à Lua. A Spaceflight Now aponta 2028 como meta para o pouso tripulado.
Antes disso, a SpaceX quer estrear as plataformas da Flórida, no fim de 2026 ou começo de 2027.
Opinião
Chegar em órbita é o começo, não o fim
Acho que vale comemorar. O Starship passou anos sendo motivo de piada a cada explosão, e a SpaceX bancou o método de errar em público. Agora tem um resultado concreto: carga útil em órbita, com motor faltando e tudo.
Mas eu seguraria a euforia. Perder motor nos dois estágios no voo que deu certo mostra que a máquina ainda está longe de rotina. E a parte difícil da Lua não é chegar em órbita. É transferir combustível criogênico entre naves, várias vezes, sem erro.
Para quem cria conteúdo, tem uma lição simples aqui. A SpaceX transformou o fracasso em pauta e manteve o público assistindo a cada tentativa. Transparência sobre o erro virou parte da marca.
Você acha que a gente vê um pouso tripulado na Lua até 2028, ou o calendário vai escorregar de novo?



