Pular para o conteúdo
Content Hub

Tecnologia, cultura e negócios sem barulho

Cultura digital

Foodie call: 32% dos jovens já saíram num encontro só pela comida grátis

O termo que viralizou nas redes descreve quem aceita um date pensando no jantar pago. Pesquisa americana mostra que a prática é mais comum entre Geração Z e zillennials, num momento em que sair para comer ficou caro.

Por Caio Almeida · · 3 min de leitura

Em 30 segundos

  • Pesquisa do DatingAdvice diz que 32% da Geração Z e dos zillennials já foram a um encontro só pela comida grátis.
  • Entre adultos com 65 anos ou mais, a taxa foi de 26%.
  • Nos EUA, um encontro pode passar dos US$ 200 entre jantar, bebida e transporte.
Foodie call: 32% dos jovens já saíram num encontro só pela comida grátis
Imagem: NeONBRAND (via Unsplash/Wikimedia Commons) Domínio público

Tem gente indo a encontro pelo match. E tem gente indo pelo risoto.

O nome disso é "foodie call", um trocadilho com "booty call" que voltou a circular com força nas redes e em reportagens americanas neste início de outubro. A ideia é direta: aceitar um date principalmente porque a outra pessoa vai pagar a comida.

Os números

Uma pesquisa do site DatingAdvice, citada pela NBC News, mostra que 32% dos jovens da Geração Z e dos chamados zillennials (a turma entre 28 e 33 anos) admitem já ter ido a um encontro só para garantir uma refeição de graça. É a maior taxa entre todas as faixas de idade.

Mas não é exclusividade de jovem. Entre os adultos com 65 anos ou mais, 26% disseram ter feito o mesmo. O foodie call, pelo visto, é intergeracional.

O pano de fundo é o bolso

A explicação mais repetida por especialistas ouvidos pela imprensa americana é econômica. Um encontro nos Estados Unidos pode passar dos US$ 200 entre jantar, bebida e transporte. Para quem está começando a carreira, com aluguel alto e salário apertado, isso pesa.

O resultado é uma inversão curiosa. O encontro, que era um investimento afetivo, vira também uma estratégia de orçamento. Quem paga espera conexão. Quem é convidado, às vezes, espera o prato principal.

Luminária de vitral pendurada sobre uma mesa de restaurante
Imagem: Ehud Neuhaus (via Unsplash/Wikimedia Commons) Domínio público

Da piada ao comportamento

O termo tem cara de meme, e boa parte dos vídeos sobre o assunto é humor. Mas ele toca num tema real da cultura de aplicativos: o cansaço com encontros que não levam a nada. Se o match não garante química, pelo menos a noite não é perdida. Essa é a lógica que aparece em comentários e depoimentos nas redes.

Ao mesmo tempo, outras reportagens sobre namoro em 2026 apontam o movimento contrário: jovens dizendo que querem encontros mais intencionais, com menos gente e mais conversa. As duas coisas convivem.

O que muda nos apps

O assunto também aparece nas próprias plataformas de namoro, onde perfis passaram a deixar claro, já na bio, o tipo de encontro que aceitam: café, caminhada, jantar dividido. É uma forma de filtrar quem está atrás de companhia e quem está atrás do cardápio, antes mesmo da primeira mensagem.

Opinião

O restaurante é o verdadeiro vencedor

Discorde de mim: o foodie call fala mais sobre consumo do que sobre amor.

Quando a experiência de comer fora vira luxo, ela passa a ter valor de moeda. As pessoas trocam tempo e companhia por um jantar que não conseguiriam pagar sozinhas. Isso diz muito sobre preço, e pouco sobre caráter de quem aceita.

Pra marca de alimentação, tem uma leitura estratégica aqui. Restaurante que entende que virou palco de primeiro encontro pode criar território nisso. Menu pra dois com preço fechado. Ambiente que facilita conversa. Uma proposta que tire o peso da conta do centro da noite. Quem resolver a ansiedade do "quem paga" ganha um público fiel.

No Brasil, a conversa ainda é tímida, mas a inflação de comer fora é a mesma dor. A pergunta que vale fazer é: se o jantar ficou caro demais pra ser casual, o encontro ainda é sobre a pessoa ou sobre o cardápio?

Fontes

Newsletter · 1 e-mail por semana

Gostou? Receba o próximo no seu e-mail

O que importou em tecnologia, cultura e negócios, com fonte e em 5 minutos de leitura. Sem spam e sem rastreador.

Continue lendo