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Sorkin volta ao Facebook e o público não aparece: o tropeço de The Social Reckoning

A continuação espiritual de A Rede Social abriu com prévias fracas nos EUA, enquanto o terror Other Mommy, com Jessica Chastain, deve levar o fim de semana. O que isso diz sobre filme de prestígio, marca e timing.

Por Caio Almeida · · 3 min de leitura

Em 30 segundos

  • The Social Reckoning, de Aaron Sorkin, fez cerca de US$ 650 mil nas prévias de quinta nos EUA.
  • A estreia projetada ficou entre US$ 4 e 5 milhões, abaixo das projeções de US$ 6 a 10 milhões.
  • O terror Other Mommy, com Jessica Chastain, fez US$ 3,6 milhões nas prévias e deve liderar o fim de semana.
Sorkin volta ao Facebook e o público não aparece: o tropeço de The Social Reckoning
Imagem: Elijah Flores (via Unsplash/Wikimedia Commons) Domínio público

Dezesseis anos depois de A Rede Social, Aaron Sorkin voltou ao Facebook. O público, pelo jeito, não voltou junto.

The Social Reckoning, da Sony, fez cerca de US$ 650 mil nas sessões de prévia de quinta-feira (8) nos Estados Unidos, em 2.368 salas. A conta da indústria aponta para uma estreia na casa de US$ 4 a 5 milhões no fim de semana. Antes desse número, as projeções já eram modestas: entre US$ 6 e 10 milhões. Ficou abaixo do piso.

Pra ter régua: A Rede Social estreou com US$ 22 milhões em 2010 e saiu do Oscar com quatro estatuetas, uma delas para o roteiro de Sorkin.

O filme

Desta vez Mark Zuckerberg não é o centro. Jeremy Strong faz o fundador do Facebook como coadjuvante. A protagonista é Frances Haugen, vivida por Mikey Madison, a funcionária da equipe de integridade cívica que em 2021 entregou milhares de páginas de documentos internos ao Wall Street Journal. O material virou a série de reportagens conhecida como "Facebook Files", sobre desinformação, discurso de ódio e segurança de adolescentes na plataforma. Jeremy Allen White interpreta o repórter Jeff Horwitz.

O elenco ainda tem Wunmi Mosaku, Betty Gilpin, Billy Magnussen e Bill Burr. A crítica ficou dividida: o filme estava em 59% de aprovação no Rotten Tomatoes às vésperas da estreia.

Quem levou o fim de semana

Do outro lado do corredor, Other Mommy faz o oposto. O terror dirigido por Rob Savage, com Jessica Chastain no papel de uma mãe e de sua sósia maligna, arrecadou US$ 3,6 milhões só nas prévias. Abre em cerca de 3.200 salas, com projeções que giram em torno de US$ 20 milhões. A crítica também não foi gentil com ele. Não importou.

Tigela de pipoca sobre uma mesa
Imagem: Alex Munsell (via Unsplash/Wikimedia Commons) Domínio público

Opinião

Prestígio não é marca

Tem uma lição de branding escondida aqui, e ela é desconfortável para Hollywood.

The Social Reckoning foi vendido como "o novo Sorkin" e "a sequência de A Rede Social". As duas promessas falam com quem já é fã de Sorkin. O problema: esse público é pequeno, mais velho e cada vez mais confortável esperando o streaming. Nome de roteirista não é franquia. Nunca foi.

Other Mommy vende outra coisa: uma premissa que cabe em uma frase e um medo universal. Terror é o gênero que mais entende o cinema como evento. Você vai com amigos, grita junto, sai comentando. É experiência, e experiência leva gente pra sala.

Pensa em como as marcas que dão certo funcionam. A Rhode, de Hailey Bieber, não vendeu "skincare de celebridade". Vendeu um gesto simples, repetível, fotogênico. O público entendeu em dois segundos. Filme de prestígio costuma pedir dez minutos de explicação antes de convencer alguém a sair de casa.

E tem o tema. Em 2010, rede social era novidade, e ver a origem do Facebook era ver o futuro nascer. Em 2026, rede social é o ar que a gente respira. Um filme sobre o lado tóxico do algoritmo concorre com o próprio algoritmo, que está no bolso do espectador, de graça, agora mesmo.

Nada disso diz que o filme é ruim. Pode até envelhecer bem, ganhar prêmios e achar seu público no streaming. Mas a bilheteria de estreia é um termômetro honesto: hoje, quem enche sala é o produto que vira conversa antes de virar ingresso. Sorkin escreveu o filme sobre isso. Só esqueceu de aplicar.

Fontes

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