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RTX Spark: Nvidia e Microsoft querem que a IA saia da nuvem e more no seu notebook

No evento de 7 de outubro, Jensen Huang e Satya Nadella apresentaram o RTX Spark, superchip para PCs Windows capaz de rodar modelos com mais de 100 bilhões de parâmetros sem internet. As primeiras máquinas chegam em 16 de outubro.

Por Caio Almeida · · 3 min de leitura

Em 30 segundos

  • Nvidia e Microsoft apresentaram em 7 de outubro o RTX Spark, superchip para PCs com Windows.
  • O chip tem até 128 GB de memória unificada e roda localmente modelos de cerca de 120 bilhões de parâmetros.
  • Os notebooks começam a ser entregues em 16 de outubro; os desktops compactos ficam para novembro.
RTX Spark: Nvidia e Microsoft querem que a IA saia da nuvem e more no seu notebook
Imagem: KKPCW CC BY-SA 4.0

"Se não fosse o Windows, não existiria GeForce." A frase é de Jensen Huang, e foi dita no palco da Microsoft. Diz muito sobre o momento.

Em 7 de outubro, em San Francisco, o CEO da Nvidia dividiu o palco com Satya Nadella, da Microsoft, para apresentar o RTX Spark. É um superchip pensado para notebooks e desktops compactos com Windows, e a promessa é rodar IA pesada no próprio computador, sem depender da nuvem.

O que tem dentro

Pelas especificações divulgadas pela Nvidia, o RTX Spark junta uma GPU Blackwell RTX com até 6.144 núcleos e uma CPU Grace com até 20 núcleos. As duas partes conversam a 600 GB/s e dividem até 128 GB de memória unificada, com banda de 300 GB/s. O desempenho anunciado é de 1 petaflop em precisão FP4, formato bastante usado para rodar modelos de IA.

Na prática, isso permite carregar localmente modelos na casa de 120 bilhões de parâmetros. Até pouco tempo atrás, esse porte exigia servidor.

A pré-venda dos notebooks abriu no mesmo dia do evento, com entregas a partir de 16 de outubro. Os desktops compactos ficam para novembro. A lista de fabricantes parceiros inclui Acer, Asus, Dell, HP, Lenovo, MSI, Gigabyte e a própria Microsoft, que mostrou o Surface Laptop Ultra como vitrine da plataforma.

E a versão de mesa

A Nvidia também mostrou uma prévia da DGX Station para Windows, estação de trabalho bem maior, voltada a empresas que querem treinar e rodar modelos gigantes sem sair do escritório. Disponibilidade e preço ainda não foram divulgados.

O chip em si não é surpresa total. A família RTX Spark tinha sido apresentada em junho, na Computex, em Taiwan, como a versão Windows do mesmo silício do DGX Spark, que mira desenvolvedores em Linux. O evento de outubro foi o momento de transformar anúncio em produto na prateleira, com a Nvidia falando em mais de 30 notebooks na primeira leva.

Fotografia microscópica do circuito de um chip de memória, com padrões geométricos coloridos
Imagem: ZeptoBars CC BY 3.0

Opinião

O PC volta a ter um motivo para trocar

Há anos o mercado de PC vive de troca por cansaço. A máquina fica lenta, a bateria morre, você compra outra. Ninguém troca de notebook porque quer fazer algo que antes era impossível.

O RTX Spark tenta mudar essa conversa. A proposta é: o seu computador vai fazer coisas que hoje só a nuvem faz. Privacidade, funcionamento offline e zero mensalidade de API são argumentos que entendem tanto o advogado com contrato sigiloso quanto o editor de vídeo no meio do mato.

E repara no palco. Nvidia e Microsoft juntas, contando uma história de décadas de parceria. É a mesma lógica de uma collab de moda: uma marca empresta credibilidade à outra. A Nvidia ganha a porta de entrada do PC comum. A Microsoft ganha um motivo para o Windows parecer novo de novo, depois de anos vendo o Mac ganhar terreno com os chips da Apple.

O contraponto precisa ser dito. Hardware de IA local só faz sentido se o software acompanhar. Se os aplicativos que a galera usa continuarem mandando tudo para a nuvem, o chip vira o equivalente a uma Ferrari presa no trânsito.

Também tem o preço. Máquina com 128 GB de memória unificada não é compra de impulso, ainda mais com o câmbio brasileiro.

A pergunta que eu deixo é prática: o que você faria com uma IA rodando no seu computador, sem internet e sem pagar por uso, que hoje não faz?

Fontes

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