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Brechó virou caça ao tesouro: mercado cresce 32% no Brasil, puxado pela Geração Z
No Brasil, o número de brechós cresceu 32% entre 2024 e 2025. Nos EUA, 62% da Geração Z comprou usado no ano passado, segundo a ThredUp. O jovem não compra segunda mão só pelo preço: compra pensando em revender.
Em 30 segundos
- Brechós ativos no Brasil cresceram 32% entre 2024 e 2025, e mais de 2.500 abriram em 2026.
- Nos EUA, 62% da Geração Z comprou roupa usada em 2025 e 67% considera o valor de revenda antes de comprar (ThredUp).
- Segundo o Sebrae-SP, 71% compram em brechó pelo preço; 43% citam sustentabilidade.

A jaqueta que custava R$ 900 na loja do shopping está na arara do brechó por menos de R$ 200. E quem compra já sabe por quanto vai revender.
O tamanho da coisa
No Brasil, o número de brechós ativos cresceu 32% entre 2024 e 2025, segundo levantamento noticiado pela Band e pelo O Hoje. Em 2026, mais de 2.500 novos negócios do setor abriram as portas. Uma pesquisa do Sebrae-SP explica o que move o cliente: 71% citam o preço, 45% a qualidade das peças e 43% a sustentabilidade.
Nos Estados Unidos, o retrato é parecido e mais detalhado. O relatório anual da ThredUp, maior plataforma de revenda online do país, mostra que 62% da Geração Z comprou roupa usada em 2025. A NBC News cruzou o dado com a inflação: o preço do vestuário subiu 4,2% em um ano até abril, a maior alta desde 2022, e as lojas de segunda mão passaram a ter desempenho melhor que o varejo de moda tradicional.
Não é só economia
Posso falar algo polêmico? O brechó deixou de ser plano B.
O número mais revelador da ThredUp não é o de quem compra. É que 67% da Geração Z considera o valor de revenda antes de comprar uma peça nova, e mais da metade tenta revender boa parte do próprio guarda-roupa. A roupa virou ativo, quase uma moeda. O jovem compra pensando na saída.
Também mudou a forma de comprar. A ThredUp descreve a troca do "haul", a sacola cheia de peça barata, pela caça ao "holy grail": a jaqueta rara, o tênis de edição limitada, a camiseta de banda dos anos 1990. Achar uma peça dessas tem o mesmo valor social de comprar um lançamento. Rende vídeo, rende comentário, rende conversa.

E aí entra a parte que conversa com estilo de ser. Brechó dá exclusividade numa época em que todo mundo compra das mesmas três plataformas. Quem se veste de segunda mão está dizendo que tem garimpo, repertório, olho. É território de identidade, não de desconto.
O outro lado precisa ser dito: o consumo de moda rápida continua enorme, e parte da revenda só gira peça barata de um dono para outro. Brechó cheio não significa fast fashion vazio.
A lição de marca
Marca de moda que ignora a revenda está assistindo outra empresa lucrar com o próprio produto. As que entenderam criaram programas de recompra, selos de autenticidade e lojas próprias de usados. O recado do consumidor jovem é claro: ele valoriza a peça que dura e que vale alguma coisa depois.
Para quem tem brechó, o desafio é o contrário. Só 40% dos consumidores compram usados online, segundo o mesmo levantamento do Sebrae-SP, e 84% preferem a loja física para provar. Quem construir curadoria com cara de comunidade, com perfil, drop semanal e garimpo comentado, vai sair na frente.
A pergunta que fica: a próxima peça que você comprar, você vai usar até gastar ou já está calculando por quanto vende?



