OpiniãoCultura digital
Geração Z bebe menos? Gallup diz que sim, IWSR diz que é mito
Nos EUA, só 50% dos adultos de 18 a 34 anos dizem beber, segundo o Gallup. Num levantamento global da IWSR, a taxa da Geração Z subiu para 74%. As duas pesquisas falam de coisas diferentes, e a diferença importa para quem vende bebida.
Em 30 segundos
- Gallup 2026: 54% dos americanos dizem beber, o menor nível desde 1939; entre 18 e 34 anos, 50%.
- IWSR, em 19 mercados incluindo o Brasil: 74% da Geração Z em idade legal bebe, contra 66% três anos atrás.
- A IWSR diz que a Geração Z bebe diferente: mais drinques, teor alcoólico mais baixo, ocasiões menores.

Duas pesquisas sérias, publicadas com um mês de diferença, dizem coisas opostas sobre o copo da Geração Z.
O lado do Gallup
Em agosto, o Gallup divulgou que 54% dos adultos americanos dizem beber álcool. É o menor nível desde que o instituto começou a fazer a pergunta, em 1939. Entre os jovens de 18 a 34 anos, a taxa caiu para 50%, contra 58% em 2023. É o grupo que menos bebe.
O motivo aparece na mesma série: a maioria dos jovens diz achar que até o consumo moderado faz mal à saúde. A reportagem da FOX19 ouviu bares de Cincinnati e registrou que 17% dos americanos já trocaram bebida alcoólica por uma versão sem álcool.
O lado da IWSR
Em julho, a IWSR, consultoria que mede o mercado global de bebidas, publicou o contrário. No levantamento Bevtrac, feito em 19 mercados, incluindo o Brasil, 74% da Geração Z em idade legal disse beber. Três anos antes, eram 66%.
"A narrativa de que a Geração Z é a geração da moderação está definitivamente desmentida", disse Marten Lodewijks, presidente da IWSR. Quem mais caiu foram os boomers, hoje com a menor taxa entre as gerações: 71%.

Quem está certo?
Os dois. E é aqui que mora a leitura interessante.
O Gallup mede americanos, numa sociedade em que o debate sobre álcool e câncer ganhou força. A IWSR mede consumidores em 19 países, com Brasil, México, China e Índia na conta. E a própria IWSR explica o detalhe que fecha a conta: o número de pessoas que bebe está estável, mas a frequência e a quantidade por ocasião estão caindo em todas as gerações.
Ou seja, a Geração Z não abandonou o bar. Mudou o pedido. Segundo a IWSR, 84% dos jovens que bebem tomaram coquetel nos últimos seis meses, mais do que qualquer outra geração. O que cresce é drinque com teor baixo, spritz, dose menor, o "daycap" no lugar da madrugada. E 49% dizem seguir as recomendações de saúde do governo sobre álcool, também a maior taxa entre as gerações.
Discorde de mim: o jovem de 2026 não é abstêmio, é seletivo.
A lição de marca
A Athletic Brewing, da foto acima, entendeu isso cedo. Não vende cerveja para quem parou de beber. Vende para quem quer escolher quando beber. É cerveja como estilo de ser, não como substituto triste.
O mocktail segue a mesma lógica. Ele resolve o problema social: estar no bar, com um copo bonito na mão, sem explicar nada a ninguém.
Para cervejaria tradicional, o aviso é claro. A ameaça não é o jovem sumir. É o jovem tomar uma só, e escolher a sua com critério. Marca que só sabe vender volume vai sentir.
A pergunta é para você, que tem entre 20 e 30 anos: você bebe menos, ou só deixou de beber sem motivo?



